5 de
Outubro celebramos a implantação da República no nosso país, e também a chegada
do ‘mais novo’ à nossa família. Há 5 anos que celebramos esta nova vida, que
chegou já depois de o ‘mais velho’ - e corresponsável por isto tudo - ter
partido. As reinvenções fazem-nos bem e dão seguimento ao que não queremos
sentir interrompido.
Era desta festa que vínhamos quando nos surge a
oportunidade de podermos ser gentis; sem interessar o porquê, nem com
quem.
Num
cruzamento próximo, numa estrada movimentada, um pouco erma e nada amigável
ao trânsito pedonal, demos passagem a um Senhor que carregava uma mochila
pesada - soubemos depois que transportava ‘caminhos de Santiago’ - e que nos
parecia cansado e algo desorientado. Aguardamos na berma para perceber se
procuraria a nossa ajuda. E procurou. Ficou feliz por falarmos inglês. Ficou feliz por
procurarmos ajudar. Ficou radiante por o levarmos ao hotel de destino, de onde
já havia estado perto, mas de onde se afastava cada vez mais.
Chamava-se José. Era um canadiano, nascido em Espanha. A conversa mantida por cerca de 2 kms proporcionou-nos uma boa, diferente e salutar troca de opiniões. Lemos muito nas entrelinhas e ficou-nos o espírito de alguém que sai do Canadá sozinho, depois de uma vida já bem vivida e avançada, com uma mochila às costas e se aventura.
Além disso,
Fizemos
diferença. Não nos custou nada.
Consegui
colocar-me naquela pele e sentir o quão difícil estaria a parecer sair daquele
lugar desconhecido. Difícil, fisicamente. Difícil, emocionalmente. Consigo
colocar-me naquela pele e sentir o alívio de abrir a porta do quarto e de tomar um banho.
Juro. Consigo.
Podemos
ser tudo. Para todos. Assim queiramos.