quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Dos medos (e das rasteiras da vida)

(na madrugada do dia 13/10/2026)


A ausência de futuro assusta. Mas também me assusta, em si só, o futuro. Há dias em que sou apenas eu e os meus medos. À luta.

[e o peso começa por se instalar nos ossos. e a dor corrói. e esmaga. pequeninos, seguiremos; por onde, é que ainda não sabemos. haverá luz. depois do medo.]

p.s. palavras que ficam a marcar mais um viés nos nossos dias.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Da empatia (e dos caminhos que seguem)

5 de Outubro celebramos a implantação da República no nosso país, e também a chegada do ‘mais novo’ à nossa família. Há 5 anos que celebramos esta nova vida, que chegou já depois de o ‘mais velho’ - e corresponsável por isto tudo - ter partido. As reinvenções fazem-nos bem e dão seguimento ao que não queremos sentir interrompido. 

Era desta festa que vínhamos quando nos surge a oportunidade de podermos ser gentis; sem interessar o porquê, nem com quem. 

Num cruzamento próximo, numa estrada movimentada, um pouco erma e nada amigável ao trânsito pedonal, demos passagem a um Senhor que carregava uma mochila pesada - soubemos depois que transportava ‘caminhos de Santiago’ - e que nos parecia cansado e algo desorientado. Aguardamos na berma para perceber se procuraria a nossa ajuda. E procurou. Ficou feliz por falarmos inglês. Ficou feliz por procurarmos ajudar. Ficou radiante por o levarmos ao hotel de destino, de onde já havia estado perto, mas de onde se afastava cada vez mais.

Chamava-se José. Era um canadiano, nascido em Espanha. A conversa mantida por cerca de 2 kms proporcionou-nos uma boa, diferente e salutar troca de opiniões. Lemos muito nas entrelinhas e ficou-nos o espírito de alguém que sai do Canadá sozinho, depois de uma vida já bem vivida e avançada, com uma mochila às costas e se aventura.

Além disso,

Fizemos diferença. Não nos custou nada.

Consegui colocar-me naquela pele e sentir o quão difícil estaria a parecer sair daquele lugar desconhecido. Difícil, fisicamente. Difícil, emocionalmente. Consigo colocar-me naquela pele e sentir o alívio de abrir a porta do quarto e de tomar um banho. Juro. Consigo.

Podemos ser tudo. Para todos. Assim queiramos.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

As mordaças de uma aldeia

Escondo-me no blogger, mas preciso de escrever sobre ideias fortes que se começam a emaranhar e já estão perto de um nó cego. Vai sem ordem e com pouco nexo, mas tem de ir.

Complicações voluntárias. Os extras que se acoplam a tudo o que é burocracias e formalismos. As pedras todas que se teima em juntar nos sapatos que calçam pés doridos. A velhice. As dores. Os caminhos tortuosos e tortos. Perdas. O culto do sofrimento. As mordaças de uma aldeia. As cores baças e os horizontes curtos. Todo o pó de tempos idos e que ainda não se conseguiu sacudir. Os horizontes curtos. As rédeas curtas. O fácil nó cego.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Dos gestos de amor, da nossa história e do que fica

 Há gestos de amor que insuspeitamente ficarão na nossa história. Para sempre. A dar forma ao que não soubemos sentir.

Do que sentimos, quando sentimos vinil

 Quando o disco gira, deixamos ir junto muita emoção e muita inspiração. Ao sabor do som.

Dos diálogos

O diálogo requer tempo, espaço e silêncio. Para que neles caibam todas as sílabas que temos cá dentro.

Da liberdade (i)

 Quero poder deixar chávenas esquecidas pela casa e podre perder colheres em paz.